
Ler o capítulo três vezes na véspera da prova dá a sensação de que o conteúdo foi aprendido. Dias depois, boa parte some. A pesquisa sobre aprendizagem mostra que essa estratégia, embora comum, é das menos eficientes. Com as avaliações de fim de ano se aproximando, vale conhecer três técnicas de estudo para provas que funcionam melhor quando usadas no momento certo: o mapa mental, o resumo e a revisão espaçada.
Mapa mental: para enxergar a matéria inteira
O mapa mental é um diagrama que parte de um tema central, escrito no meio da folha, e se ramifica em ideias ligadas a ele. Cada ramo recebe palavras-chave, e não frases longas, e pode ser desdobrado em ramos menores.
Ele é útil quando o estudante precisa entender como as partes de um conteúdo se relacionam: as causas e as consequências de um fato histórico, as características de grupos de seres vivos, as regras de uma classe gramatical.
Como montar:
- Escreva o tema no centro de uma folha na horizontal.
- Trace os ramos principais com os grandes tópicos.
- Use uma cor para cada ramo e escreva apenas palavras-chave.
- Acrescente exemplos, desenhos e símbolos que ajudem a lembrar.
- Tente refazer o mapa de memória depois de alguns dias.
O último passo é o mais importante. Montar o mapa já ajuda, mas refazê-lo sem consulta obriga o cérebro a recuperar a informação, e é essa recuperação que fixa o conteúdo.
“O mapa mental é um diagrama que parte de um tema central, escrito no meio da folha, e se ramifica em ideias ligadas a ele.”
Resumo: para reorganizar com as próprias palavras
O resumo funciona quando é feito de verdade, com as palavras do estudante. Copiar trechos do livro ou sublinhar metade da página não é resumir. O bom resumo exige escolher o que é essencial e explicar com clareza.
Ele é indicado para conteúdos com muitas explicações e conceitos, como textos de história, geografia, ciências e filosofia. Algumas orientações ajudam:
- leia a seção inteira antes de escrever qualquer coisa;
- feche o livro e escreva o que entendeu;
- volte ao texto para conferir e corrigir;
- limite o tamanho, por exemplo, a um terço do original;
- termine cada resumo com duas ou três perguntas que poderiam cair na prova.
Para os anos finais do fundamental, o resumo pode ser substituído por um fichamento mais curto, com tópicos e exemplos.
Revisão espaçada: para não esquecer
A revisão espaçada consiste em rever o mesmo conteúdo em intervalos que aumentam com o tempo. Em vez de estudar três horas em um único dia, o estudante divide o esforço em sessões mais curtas ao longo de semanas. O fenômeno por trás disso é conhecido desde o século 19: tendemos a esquecer rapidamente o que aprendemos, e cada revisão no momento certo torna o esquecimento mais lento.
A técnica combina bem com as duas anteriores. O mapa mental e o resumo viram o material de revisão, e a cada retomada o estudante tenta responder às perguntas antes de olhar a resposta. Esse exercício de tentar lembrar, chamado de prática de recuperação, é uma das formas mais eficazes de estudar.
Quando usar cada técnica
- Conteúdo com muitas relações: mapa mental.
- Conteúdo explicativo e extenso: resumo com perguntas.
- Fórmulas, datas, vocabulário: cartões de pergunta e resposta revistos em intervalos.
- Exercícios de matemática e física: resolver problemas variados, e não apenas reler a teoria.
Um cronograma para as semanas de prova
Para quem tem avaliações no fim de novembro ou no começo de dezembro, um modelo de quatro semanas pode ajudar:
- Semana 1: montar mapas mentais e resumos de cada matéria, dois ou três por dia, em sessões de 30 a 40 minutos com pausa.
- Semana 2: primeira revisão de tudo o que foi preparado, tentando responder às perguntas sem consultar. Marcar os pontos que ainda geram dúvida.
- Semana 3: segunda revisão, com foco nos pontos marcados, e resolução de exercícios e provas anteriores.
- Semana 4: revisão rápida na véspera de cada prova, apenas com os mapas e as perguntas, e sono em dia.
Crianças do 5º ao 7º ano costumam precisar de ajuda de um adulto para montar o cronograma e manter a regularidade. Estudantes do ensino médio podem ajustar o plano sozinhos, mas se beneficiam de colocá-lo no papel. E dormir bem nas noites anteriores às provas faz parte da estratégia, porque o sono ajuda a consolidar a memória.
Antes de terminar
Qual é a melhor técnica de estudo para provas? Não há uma única. Mapa mental, resumo e revisão espaçada servem a objetivos diferentes e funcionam melhor combinados, sempre com a prática de tentar lembrar sem consultar o material.
Quanto tempo deve durar cada sessão de estudo? Para crianças e adolescentes, sessões de 25 a 40 minutos com pausas curtas costumam render mais do que longos períodos seguidos. O importante é a regularidade ao longo das semanas.
Grifar o livro ajuda? Grifar pode orientar a leitura, mas sozinho tem pouco efeito na memorização. Funciona melhor como etapa inicial para depois produzir um resumo ou um mapa mental.
Assuntos: Mapa, Resumo, Revisão, Quando