Fundef 30 anos: como o fundo de 1996 mudou o financiamento da escola pública

4 min de leitura
Sala de aula cheia vista do fundo, com alunos voltados para a lousa

Em 12 de setembro de 1996 foi promulgada a Emenda Constitucional 14, que criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, o Fundef. Três décadas depois, o nome pouco aparece nas conversas de pais e professores, mas a lógica que ele introduziu segue presente no dia a dia das redes públicas: o dinheiro da educação passou a acompanhar o aluno matriculado. Entender a história do Fundef e do financiamento da educação ajuda a compreender por que algumas prefeituras conseguem pagar melhor os professores do que outras e onde acompanhar os recursos da própria cidade.

O problema que o fundo tentou resolver

A Constituição de 1988 já determinava que estados e municípios aplicassem uma parte da arrecadação de impostos na educação. O problema estava na distribuição. Um município com arrecadação alta e poucos alunos tinha dinheiro de sobra por estudante, enquanto uma cidade vizinha, com muitas crianças matriculadas e receita menor, não conseguia manter escolas em boas condições nem remunerar adequadamente seus professores.

Ao mesmo tempo, a responsabilidade pelo ensino fundamental estava dividida de forma desigual entre as redes estaduais e municipais em cada estado. O resultado eram diferenças grandes de gasto por aluno dentro de um mesmo estado.

“A Constituição de 1988 já determinava que estados e municípios aplicassem uma parte da arrecadação de impostos na educação.”

Como o Fundef funcionava

A emenda alterou artigos da Constituição e deu nova redação ao artigo 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O fundo foi regulamentado pela Lei 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e passou a valer de forma automática em todo o país em 1º de janeiro de 1998, com a possibilidade de estados anteciparem a implantação.

O desenho era relativamente simples:

Com isso, a matrícula passou a valer dinheiro. Municípios que atendiam muitos alunos recebiam mais, e os que tinham receita sobrando por estudante contribuíam para o equilíbrio do estado.

Efeitos e limites

A mudança incentivou a municipalização do ensino fundamental, já que as prefeituras passaram a receber recursos proporcionais às matrículas. Também ajudou a reduzir a diferença de gasto por aluno dentro de cada estado e deu previsibilidade aos salários do magistério. A lei criou ainda conselhos de acompanhamento e controle social, com participação de pais, professores e representantes do poder público, para fiscalizar a aplicação do dinheiro.

Havia limites. O fundo cobria apenas o ensino fundamental, deixando de fora a educação infantil e o ensino médio, que continuavam dependendo de outras fontes. A complementação da União foi alvo de críticas por ficar aquém do que muitos especialistas consideravam necessário. E o Fundef tinha prazo de vigência de dez anos.

Do Fundef ao Fundeb

Ao fim desse período, a Emenda Constitucional 53, de 2006, criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, o Fundeb, que ampliou a lógica do Fundef para toda a educação básica: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. O novo fundo, também temporário, foi substituído em 2020 por um Fundeb permanente, com participação maior da União e novos critérios de distribuição.

A ideia central, porém, é a mesma de 1996: juntar recursos em cada estado e distribuí-los conforme as matrículas, para que o valor investido em um estudante dependa menos da riqueza da cidade em que ele mora.

Onde acompanhar o dinheiro da sua cidade

Pais e educadores podem consultar quanto a rede municipal recebe e como aplica os recursos. Os caminhos mais comuns são:

Participar do conselho, ou ao menos acompanhar suas atas, é uma forma concreta de entender as escolhas feitas na rede onde os filhos estudam.

Antes de terminar

O que significa a sigla Fundef? Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério. Foi criado pela Emenda Constitucional 14, de 12 de setembro de 1996, e regulamentado pela Lei 9.424, de dezembro do mesmo ano.

O Fundef ainda existe? Não. Ele foi substituído pelo Fundeb, criado em 2006 para toda a educação básica. Desde 2020, o Fundeb é permanente e tem regras próprias de distribuição e complementação da União.

Escolas particulares recebem recursos do fundo? A regra geral é que os recursos vão para as redes públicas estaduais e municipais. A legislação admite exceções para algumas instituições conveniadas sem fins lucrativos, como creches comunitárias, dentro de condições específicas.

Assuntos: O, Como, Efeitos, Do